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Entel na mídia – Caderno Negócios e Oportunidades do A Tarde

Estoques de alguns itens somem em meio à crise

Por MARIANA BAMBERG*

Em meio à pandemia do coronavírus, a corrida desenfreada pelo álcool em gel, pelo notebook para trabalhar em casa e por outros itens essenciais neste momento tem dado trabalho a gestores de micro e pequenas empresas. Enquanto a doença tem atingido a saúde financeira de negócios que tiveram que suspender as atividades, em outros, a dor de cabeça está relacionada a como manter o estoque e conseguir atender à demanda que cresceu de uma hora para outra.

A situação é tão atípica que a reportagem de A TARDE teve dificuldade de encontrar representantes desses negócios para contar suas experiências. Os que não participaram se diziam receosos de que a repercussão da matéria aumentasse ainda mais a demanda da empresa.

Para ter uma ideia, tem negócio que vendeu seu estoque de álcool em gel de um mês em apenas duas horas e está encontrando dificuldade para repor. Foi o que aconteceu com a loja de Daiane Martins, a Pituba Embalagens. “O problema é que ninguém esperava algo nessa dimensão. Não temos mais álcool em gel nem máscara. Quando chega, é uma quantidade ínfima que não dá para atender à demanda. Já ligamos para mais de 15 indústrias e muitas reclamam da falta de matéria-prima, que vem da China, ou cobram um volume e um valor mínimo muito alto. Todos os dias ligamos para indústrias, mas as respostas são as mesmas”, revelou Daiane.

Depois que o estoque acabou, a loja só conseguiu receber mais uma remessa de álcool em gel, que, segundo Daiane, só foi suficiente para atender a lista de reserva que ela fez com os clientes que fazem parte do grupo de risco da doença. Na tentativa de repor máscaras hospitalares, a gestora só encontrou uma indústria com valor bem acima do que estava habituada: se antes ela vendia uma marca que custava ao cliente menos de R$ 1, a nova custaria R$ 3. Daiane então preferiu ficar sem o produto, “para não parecer que está se aproveitando”.

Para o gerente regional do SebraeemSalvador, Rogério Teixeira, essa atitude de Daiane é correta. Segundo ele, é preciso pensar em manter uma reputação bem avaliada da empresa. Ele indica até que Daiane explique a sua decisão para justificar a ausência do produto para o cliente. “É importante lembrar que a crise vai passar e a empresa pode ficar marcada como um negócio que tentou se aproveitar em um momento tão delicado”, ressalta.

Outra orientação de Rogério, para Daiane e outros gestores, é que eles busquem, baseados em informações confiáveis, oferecer outras soluções para os cliente. No caso da loja de Daiane, o sabão líquido pode ser oferecido no lugar do álcool em gel.

Tecnologia

Outro negócio que viu sua demanda crescer de uma hora para outra foi a Entel, empresa de Bruna Waisel. Ela trabalha oferecendo serviço de soluções de tecnologia para empresas – aluga equipamentos como computadores e impressoras multifuncionais e se responsabiliza pela manutenção e reposição de insumos.

Bruna oferece serviço de soluções de tecnologia e viu a demanda “explodir” – Felipe Iruatã / Ag. A TARDE

Como estímulo ao home office como forma de combater o avanço da doença, a Entel mais do que dobrou a quantidade de notebooks alugados. Foram, de acordo com Bruna, quase 100 equipamentos locados em uma semana. “Essa crise não está sendo boa para ninguém. Muitos de nossos clientes vão diminuir o faturamento. Mas vai servir para conscientizar as pessoas sobremuitas coisas. Uma delas é a importância da tecnologia. E isso vai acabar sendo uma virada de chave para nossa empresa”, relata.

Bruna contou que o estoque não foi suficiente, mas que a empresa já está se preparando para reabastecê-lo. Mas a orientação do gerente do Sebrae, para Bruna e quem também pensa em aumentar o estoque neste momento, é que faça um cálculo levando em consideração tambéma demanda antes da crise. “É preciso pensar também a longo prazo, para não investir, comprar mercadorias que depois da crise não vão ter tanta saída e que podem até vencer”.

O Mercado Centro, que funciona com online – com compras por meio de seu site e entregas em domicílio –, também está experimentando um crescimento repentino na demanda. De acordo comseu analista André de Oliveira, só em números de usuários da plataforma do mercado houve umcrescimentode31%, já as vendas cresceram 40%. Mas André também compartilha da dificuldade de atender a esse crescimento de demanda. O que refletiu no prazo de entrega das compras, que antes ficava entre 24h e 48h e agora passou a ser até 72h. “Temos orientado a nossa equipe a explicar a situação real, falando sobre os possíveis atrasos e orientando a falta de produtos, apresentando produtos similares ou melhores para não deixar de tender nosso cliente”.

Outra orientação que, segundo André, os funcionários do mercado recebem é com relação aos cuidados para evitar o avanço da doença. Os entregadores, por exemplo, devem evitar ao máximo o contato com os clientes. A dica da médica infectologista Adielma Nizarala é que eles busquem sempre deixar as compras na portaria e que a empresa disponibilize uma forma de pré-pagamento, para que não seja necessário o contato direto.

Outras orientação da infectologista para quem tem que estar no ambiente de trabalho é que, onde existem mesas de trabalho, que elas mantenham entre si umadistância de 1,5ma 2m, em caso de balcões, eles devem ser regularmente higienizados com álcool 70 ou água sanitária e quem trabalha atendendo o público deve usar máscaras.

*SOB SUPERVISÃO DA EDITORA CASSANDRA BARTELÓ

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